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Beija-Flor ameaça não desfilar no Carnaval de 2020, após virada de mesa

MP vai pedir a penhora de bens da Liesa para pagar multa por decisão que beneficiou a Imperatriz

Carnavalescos Cid Carvalho e Alexandre Louzada apresentam enredo para o Carnaval de 2020, mas agremiação ainda espera um desfecho
Carnavalescos Cid Carvalho e Alexandre Louzada apresentam enredo para o Carnaval de 2020, mas agremiação ainda espera um desfecho -

A Beija-flor de Nilópolis fez ontem o lançamento do enredo "Se essa rua fosse minha". Mas, insatisfeita com a virada de mesa que manteve a Imperatriz Leopoldinense no Grupo Especial, a agremiação ameaça não desfilar no Carnaval do ano que vem.

"Mantivemos o lançamento na esperança de que a decisão seja modificada", afirmou o carnavalesco Alexandre Louzada.

Ontem, o Ministério Público informou que vai pedir a penhora de bens da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). O prazo para o pagamento da multa de R$ 750 mil por descumprimento do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) - que exigia o fim das viradas de mesa - se encerrou no sábado, ao meio-dia, e até ontem não tinha sido pago. O valor deverá ser cobrado com juros e correção. A Imperatriz Leopoldinense, agremiação beneficiada pela mudança no resultado do Carnaval 2019, enviou um advogado para apresentar seus argumentos ao promotor Rodrigo Terra. Ele, porém, não vê como justa a mudança no resultado.

"O compromisso com o MP está sendo desrespeitado. Estamos reunindo elementos para ação coletiva que pedirá a anulação da deliberação e a condenação a se absterem de repetir a virada", disse o promotor, que esclareceu que os bens a serem penhorados serão "os que puderem arcar com o valor da multa".

Nos bastidores, a expectativa é de os dirigentes encontrarem uma solução até amanhã, depois de ouvirem novamente os advogados da entidade. As agremiações tentam manter os cronogramas, mas o clima nos barracões é de incerteza.

Além da multa do MP, a Liesa ainda analisa os argumentos jurídicos para embasar um novo recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) na ação que cobra mais de R$ 70 milhões da entidade num processo que corre desde 1995. A ação judicial pede a devolução dos valores arrecadados com a venda dos bilhetes para as apresentações daquele ano, também com juros e correção.

"Os desfiles são um evento privado. De público, só a passarela do samba. O contrato é de cessão de empréstimo, termo de permissão de uso. Licitação é feita quando o poder público contrata", disse a advogada da Liesa, Flávia Cristofaro.

Escola de Nilópolis vai falar da marcha da civilização

Descontente com a virada de mesa que manteve a Imperatriz Leopoldinense no Grupo Especial, a Beija-flor de Nilópolis resolveu tocar o Carnaval 2020 no miudinho. Ontem, a agremiação apresentou seu enredo “Se essa rua fosse minha” aos compositores e à imprensa num evento discreto.
Bem menor do que a apresentação que estava planejada para o sábado e foi cancelada em repúdio à decisão. Segundo os carnavalescos, a entrega da sinopse só foi realizada para não atrasar o cronograma. 

“Nós acreditamos no carnaval. Se não fizermos agora o lançamento do enredo, os compositores terão tempo hábil para apresentar suas criações”, afirmou Alexandre Louzada, que divide o projeto do Carnaval 2020 com Cid Carvalho.

O dirigente da escola de Nilópolis e filho do patrono Anísio Abrahão David tem dito que pretende conversar com outros dirigentes que foram contra a medida para buscar uma solução.

Em 2020, a Beija-flor vai falar sobre a jornada épica da humanidade. Se realmente pisar na Marquês de Sapucaí, ela vai levar um cortejo de andarilhos, peregrinos e viajantes que ajudaram a construir a história das civilizações. A promessa é “ladrilhar com pedrinhas de brilhantes para a Deusa da passarela Passar.” Mas o caminho até a Apoteose ainda é de muita incerteza para as 13 agremiações do Carnaval do Rio de Janeiro.

Prefeitura pode cortar recursos

Se de um lado a Justiça cobra pagamentos de multas, do outro, o poder público fecha a torneira. O prefeito Marcelo Crivella iniciou, através de seu Facebook, uma campanha para que o Carnaval receba apenas investimentos privados.


Os recursos repassados pela Prefeitura do Rio para as escolas de samba têm minguado nos últimos três anos. Segundo dados da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), em 2017, cada agremiação recebeu R$ 2 milhões de subvenção. Em 2018, foi R$ 1 milhão. E, este ano, R$ 500 mil. A empresa destaca, ainda, que angariou R$ 1,5 milhão em recursos privados para cada agremiação em 2018 e R$ 1 milhão neste ano. Para 2020, a Riotur afirma que “ainda estão sendo
realizadas reuniões de planejamento”.


Segundo a Riotur, o Carnaval ajudou a injetar R$ 3,78 bilhões em receitas no Rio em 2019, as quais movimentaram os setores de comércio e serviços, com 1,6 milhão de turistas na cidade. Um crescimento de 26% em relação a 2018.