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Tunico da Vila grava uma releitura do samba do pai

Samba mistura rap e Jazz com mensagens sobre liberdade e a soberania dos direitos humanos

Tunico da Vila grava uma releitura do samba de 1977 de Martinho da Vila em clipe
Tunico da Vila grava uma releitura do samba de 1977 de Martinho da Vila em clipe -

O sambista Tunico da Vila convidou os rappers BK, Dexter, Happin Hood, Kamau, Rashid e Melanina Mc's para cantarem juntos a canção 'Quero, Quero', que também tem a participação de Martinho da Vila.

A música foi gravada em três cidades: Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. O autor e pai de Tunico, Martinho, esteve presente na filmagem que aconteceu no Rio. Com mensagens sobre liberdade e direitos humanos, diversos artistas, intelectuais e anônimos falam o que querem para as futuras gerações, para eles, para o Brasil e para o mundo.

Entre os famosos que mandaram mensagens estão Pedro Bial, Sabrina Sato, Daniela Sarahyba, Isabel Fillardis, Cris Vianna, Faa Moreno, Dani Vieira, Bruna Surfistinha, Lucilene Caetanon, Dudu Nobre, Carlinhos de Jesus, Flávio Migliaccio, Érico Brás, Zico, Pastor Kleber Lucas, Babalawô Ivanir dos Santos, Januário Garcia, Helena Theodoro, Debora Sabará e Salgadinho.

"O samba fala do querer humano, do participar, do grito pelos direitos soberanos unindo samba e rap, duas culturas negras mensageiras. Acabou se tornando um desabafo coletivo, em tempos abafados, para quem aprendeu sobre liberdade como eu. Convidei amigos e amigas rappers, homens e mulheres, para desabafarmos juntos, cada um ao seu modo. Na filosofia africana é assim: todo mundo junto. A música, a poesia cantada, libera energias e forças para um mundo melhor", explicou Tunico.

A canção foi gravada originalmente em 1977 no LP 'Presente', na época da ditadura, em plena repressão militar. Em seus versos: "sou errado, sou perfeito, imperfeito sou humano, sou um cidadão direito e meu direito é soberano". Tunico, que foi Soldado do Exército, como seu pai, que chegou a sargento, disse que a música libertou seu ser.

"Servi como experiência do que não queria ser na vida (risos). Chegando em Vila Isabel do quartel, Mestre Trambique, que dava aulas de percussão para a criançada da escola de samba, me viu de farda e disse 'o Tunico, se liga, sua farda é outra'. Eu senti o recado e fui tocar atabaques. Depois, ser percussionista e cantar samba, que é a minha bandeira. E carregar o meu pandeiro, a minha arma", lembrou ele.

A ideia de fazer uma releitura de 'Quero, Quero', partiu de Tunico da Vila, que sentiu que era preciso aguçar os jovens a refletirem sobre o tempo presente: "Em tempos de resistir, de falta de afeto, de armamento e sandices, é preciso enviar mensagens para quem está vivendo, querendo, lutando, para poderem continuar a sonhar, desejar e amar. Essa é a nossa potência! Sem isso, não há respiro para a alma. A música cumpre esse papel em qualquer tempo", concluiu ele.

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