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Band ressuscita o ‘Cine Privé’, sessão erótica de filmes, e faz a audiência subir

Saga de produções 'Emmanuelle' faz sucesso até hoje

Cartaz
Cartaz -

Nos anos 1990 e 2000, as madrugadas de sábado para domingo foram os momentos de descobertas sexuais para boa parte dos jovens do país. Contagiados pela nudez fácil e gratuita, os pais de família de hoje escondem segredos molhados de uma adolescência libidinosa. As tramas, que iam do drama à comédia, eram apenas pano de fundo para mostrar seios e bundas, principalmente com as sequências de 'Emmanuelle', a grande representante do softporn noturno, que era exibida na TV brasileira desde os anos 1980, mas virou mania na década seguinte.

O ponto de encontro era o clássico 'Cine Privé', que acaba de voltar à programação da Band, e fez sucesso esquentando a cama de adultos que começaram a descobrir sua sexualidade ali. E, se Tom Jobim dizia que "é impossível ser feliz sozinho", há uma legião de quarentões que discorda do grande compositor e fez a programação bater pico de audiência nos últimos dois fins de semana.

Saudosismo

Fã dos filmes, o vendedor de amendoim Wiery Silva, de 30 anos, comemora a volta da programação que tinha lugar cativo na sua intimidade. "Eu gostava muito dos filmes nos anos 90 e, muitas vezes, eu procurei para assistir depois e não achei. Eu torço para que continue na programação, porque ficou muito tempo fora e a saudade começou a apertar", lembra.

O rapaz, que conhece alguns enredos tão bem como a palma da sua mão, elegeu os seus favoritos. "Sou apaixonado por filme antigo e os meus preferidos são os da segunda 'Emmanuelle'. Mas o que passar é lucro. Quando assisto, esqueço todos os meus problemas", comemora Wiery.

Acostumado a ouvir segredos bem quentes em seu consultório, o psicólogo Mário Teixeira, de 44 anos, lembra com carinho de cenas específicas de algumas produções. "O que eu mais me lembro da 'Emmanuelle' era o 'Emmanuelle no Espaço', com a Krista Allen. Ele juntava as coisas que mais me interessavam, que era nudez e filmes espaciais. Lembro até hoje de uma cena dela tomando banho de vapor no espaço. O que eu mais gostava era que o filme tinha referência em quadrinhos. Era sensual e erótico sem ser pornográfico", elogia.

Melhor companhia

Krista marcou época, mas quem melhor encarnou Emanuelle foi a atriz Sylvia Kristel (1952-2012), que participou dos filmes mais clássicos da série. Bacalhau, ex-baterista do Planet Hemp (hoje organizador do evento BacaFest), chega aos 47 anos com uma lembrança bem gostosa da puberdade. "Achava Sylvia Kristel dona de uma beleza diferente e intrigante, que mexia com a minha imaginação e libido. Eu nem era muito bobo, mas os filmes eram sensuais e para um garoto como eu, curioso, foi uma descoberta", recorda.

Criador do canal 'Quatro Coisas', o youtuber Pablo Peixoto, de 41 anos, associa os filmes ao começo de sua independência. "Quando eu comecei a ganhar responsabilidades e ficar sozinho em casa, estreou o 'Sexta Sexy', que era o programa que a Band criou antes do 'Cine Privé'. Foram muitas noites emocionantes em companhia das duas séries", alegra-se.

Novos tempos

Já o técnico de laboratório Joel Ramos, de 35 anos, destaca que, apesar de adorar as cenas de sexo, acha que o programa não vai ser tão interessante para os jovens. "Naquela época era diferente e o 'Cine Privé' era a única fonte de pornografia acessível para mim. É muito interessante essa volta para nós que já éramos público, mas não sei se essa nova geração vai achar muito atrativo", pondera.

Bispo no chão

Estrelado por Sylvia Kristel, o longa 'Emmanuelle 2: A Antivirgem', de 1975, marcou o retorno do 'Cine Privé' no último dia 31. A programação garantiu um aumento de 150% na audiência à emissora, com o índice médio de 1,2 ponto em São Paulo, ultrapassando a RecordTV, que exibia, no mesmo horário, o programa 'Palavra Amiga com Bispo Edir Macedo'.

Competindo com a palavra amiga, a mão amiga do próximo fim de semana é 'Os Prazeres do Futuro', de 1993. O longa fala de um futuro no qual as relações sexuais são proibidas.

Visão Feminina

Atriz de filmes pornôs e produtora, Vitória Schwarzelühr diz que não assistia 'Cine Privê' quando adolescente, mas sabia da existência das produções. "Claro que na época sabia quem era Emmanuele, todos os meus amigos piravam nela hahahaha Mas, sinceramente, não estava nesse mundo ainda. Soube da volta da sessão há pouco tempo, o que é interessante, porque dá abertura pra galera colocar mais em pauta o pornô e discutir sobre", destaca.

Para ela, no entanto, muita coisa tem mudado na indústria nos últimos anos. "As produções veem evoluindo bastante, mas estão longe de ser 100% ideais como lá fora, se comparadas a produtoras como Vex e Erika Lust, por exemplo. Mas, estamos evoluindo. Em questão do que mudou, exatamente isso. Mulheres não só por trás das câmeras, mas também envolvidas com roteiros, produção e decisões. Creio que agora se tem uma preocupação maior não só com a estética, mas com a ética nas gravações. Além disso, hoje em dia temos uma demanda muito grande em produções independentes por conta das camgirls. O mundo do camming cresceu muito e isso nos deu liberdade pra fazermos o conteúdo que quisermos e que nos identificamos mais".