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Procurador de Minas Gerais afirma que salário de R$24 mil é 'miserê'

Leonardo Azeredo disse ainda, em áudio para o procurador-chefe local, que está "deixando de gastar R$ 20 mil em cartão de crédito" por conta do salário

Sede do Ministério Público onde o procurador trabalha
Sede do Ministério Público onde o procurador trabalha -
Um procurador do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) foi gravado durante um desabafo sobre a possibilidade de não haver reajustes para a categoria na hipótese do estado assinar um acordo de recuperação fiscal com o governo federal. No áudio revelado pela Rádio Itatiaia , Leonardo Azeredo dos Santos, que recebe R$ 35 mil de vencimentos brutos, reclama com o chefe da procuradoria, Antônio Sérgio Tonet, que está "deixando de gastar R$ 20 mil em cartão de crédito" por conta do salário. Ao todo, ele recebe R$ 24 mil após os descontos.
"Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil? O que de fato nós vamos fazer para melhorar a nossa remuneração? Ou nós vamos ficar quietos?", questiona o procurador na gravação. "Estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou gastando R$ 8 mil para poder viver com os R$ 24 mil. Eu e vários outros já estamos vivendo à base de comprimido, à base de antidepressivo", acrescenta.

Em outro trecho do áudio obtido pelo G1 , o procurador chama seus rendimentos de "miserê". Ele questiona o procurador-geral, ainda, sobre perspectivas de incrementar o salário através de vantagens.
"Vamos passar no ano que vem a receber nosso salário verdadeiro, que todo mundo já verificou que é relativamente baixo, sobretudo para quem tem mulher e filho", pondera Azeredo, diante de uma concordância de outra pessoa na conversa, presumivelmente de Tonet. "Já estou baixando o meu padrão de vida bruscamente, mas eu vou sobreviver. E não é porque sou perdulário. É para manter o meu patrimônio, que conquistei ao longo de 28 anos de carreira", completa.

Para o procurador do MP-MG , a dificuldade em viver com o que considera pouco vem de sua origem familiar.

"Sou perdulário porque pago R$ 4.500 de condomínio e IPTU por mês. Eu, ao longo da carreira, quis ter mais condição. Infelizmente não tenho origem humilde, não sou acostumado com tanta limitação. Talvez seja até mau visto. Aqui tá cheio de gente que diz que nós somos perdulários, que ganhamos muito, que nós é que temos que economizar. Gente que não gasta um centavo. Só vive economizando. Não é um, não é dois nem três", afirma.

Segundo o G1 Minas , Azeredo não foi encontrado para comentar as declarações. De acordo com o Portal da Transparência, o procurador chegou a receber R$ 78.617,66 no mês de junho, somados a remuneração líquida, indenização e outras verbas remuneratórias. O MP-MG respondeu ao portal, em nota, que não tem nenhum projeto em andamento para complementar a renda de servidores, procuradores e promotores com benefícios pecuniários.